Você já teve a sensação de estar vivendo em círculos?
Você luta, tenta mudar, começa novamente, mas parece que sempre volta para o mesmo lugar. Os anos passam, as circunstâncias mudam pouco e aquela sensação de que existe algo maior para viver continua dentro de você.
Talvez o problema não esteja apenas no caminho.
Talvez esteja na maneira como você está enxergando o caminho.
A Bíblia apresenta uma história poderosa sobre isso. Depois de sair do Egito, o povo de Israel tinha diante de si uma promessa: a Terra Prometida. O trajeto que normalmente levaria cerca de 11 dias acabou se transformando em uma jornada de aproximadamente 40 anos.
Por quê?
A resposta está diretamente relacionada à mentalidade daquele povo.
E essa história também pode nos ensinar muito sobre a nossa própria vida.
Em Deuteronômio 1, encontramos a orientação de Deus para que o povo deixasse o lugar onde estava e continuasse sua caminhada.
Era hora de levantar o acampamento e seguir viagem.
Essa frase carrega uma mensagem muito atual: há momentos em que Deus nos chama para sair do lugar onde estamos parados.
O deserto pode fazer parte da caminhada, mas não precisa ser o destino final.
Existem períodos difíceis que servem para nos ensinar, amadurecer, fortalecer nossa fé e preparar nosso coração. O problema acontece quando nos acostumamos tanto com o deserto que começamos a acreditar que ele é tudo o que existe para nós.
É aí que nasce a chamada mentalidade de deserto.
Uma pessoa pode sair fisicamente de uma situação, mas continuar presa mentalmente a ela.
Foi exatamente isso que aconteceu com os israelitas.
Eles saíram do Egito, mas o Egito continuou dentro deles.
O povo havia sido libertado da escravidão. Deus cuidava deles durante a caminhada. Havia alimento, proteção e direção.
Ainda assim, diante das dificuldades, eles reclamavam e desejavam voltar ao Egito.
Isso revela algo importante: liberdade exterior não significa necessariamente liberdade interior.
É possível mudar de emprego e continuar pensando como alguém que não merece crescer.
É possível sair de um relacionamento e continuar carregando os mesmos pensamentos de rejeição.
É possível conquistar algo novo e continuar acreditando que não somos capazes.
É possível Deus abrir uma porta e, mesmo assim, permanecermos paralisados diante dela porque nossa mente continua presa ao que vivemos anteriormente.
A mensagem é clara: se a mentalidade não mudar, podemos continuar dando voltas mesmo quando o caminho para a promessa já está diante de nós.
Um dos grandes problemas apresentados na mensagem é a murmuração.
Quando tudo parece difícil, reclamar pode ser a reação mais natural.
“Por que isso aconteceu comigo?”
“Minha vida sempre foi assim.”
“Não adianta tentar.”
“Isso não é para mim.”
“Todo mundo consegue, menos eu.”
Esses pensamentos parecem apenas frases, mas podem se transformar em uma maneira permanente de enxergar a vida.
A pessoa começa a acreditar que não existe alternativa.
E quando acredita que não existe alternativa, deixa de agir.
É nesse ponto que surge outro inimigo da transformação: o conformismo.
Conformar-se não significa aceitar aquilo que precisa ser aceito. Muitas vezes significa desistir de lutar por aquilo que ainda pode ser transformado.
A mensagem chama atenção justamente para isso: não fomos feitos para permanecer eternamente no deserto. Há momentos em que precisamos reconhecer que já ficamos tempo demais em determinado lugar e que chegou a hora de levantar e seguir viagem.
Em Colossenses 3:2, encontramos uma orientação fundamental:
“Mantenham o pensamento nas coisas do alto e não nas coisas terrenas.”
Essa passagem se conecta diretamente com a ideia de mudar a maneira de enxergar a própria vida.
Não significa ignorar os problemas.
Significa não permitir que os problemas sejam maiores do que a nossa fé.
Quando olhamos apenas para as circunstâncias, enxergamos aquilo que está imediatamente diante dos nossos olhos.
Mas a fé nos convida a enxergar além da circunstância.
A dificuldade pode ser real.
A dívida pode ser real.
A frustração pode ser real.
O medo pode ser real.
Mas essas coisas não precisam definir o final da história.
A mensagem enfatiza justamente essa diferença entre andar por aquilo que vemos e andar pela fé.
Uma das perguntas mais importantes da mensagem é:
Como está a sua mente?
Que tipo de pensamentos você tem alimentado?
Você acredita que coisas boas são para outras pessoas, mas não para você?
Quando vê alguém conquistando uma casa, formando uma família, crescendo profissionalmente ou realizando um sonho, você pensa:
“Isso nunca vai acontecer comigo”?
Esse tipo de pensamento pode se transformar em uma verdadeira prisão.
Quando repetimos durante muito tempo que não conseguimos, que não somos capazes ou que determinada realidade não é para nós, começamos a agir de acordo com essa crença.
Por isso, uma mudança verdadeira muitas vezes começa dentro.
Antes de mudar circunstâncias, precisamos mudar a maneira como respondemos a elas.
A mensagem questiona justamente essa postura de conformismo e lembra que cada pessoa possui escolhas e responsabilidade sobre os passos que decide dar.
Existe uma frase muito importante na mensagem:
“Fé sem ação não existe, é morta.”
A fé não é apenas acreditar que algo pode acontecer.
É também dar o passo necessário.
Muitas pessoas esperam sentir segurança absoluta antes de agir.
Esperam não ter medo.
Esperam ter todas as respostas.
Esperam que tudo esteja perfeitamente preparado.
Mas talvez o primeiro passo precise acontecer justamente antes de termos todas as garantias.
Isso não significa agir de maneira irresponsável. Significa não permitir que o medo impeça todos os movimentos.
O povo precisava continuar caminhando.
Nós também precisamos continuar.
Às vezes, o passo é iniciar um projeto.
Às vezes, é pedir perdão.
Às vezes, é abandonar um hábito.
Às vezes, é buscar ajuda.
Às vezes, é tomar uma decisão que estamos adiando há anos.
E às vezes é simplesmente levantar e dizer:
“Eu não quero mais viver dando voltas no mesmo lugar.”
A mensagem reforça que Deus coloca diante de nós escolhas.
Podemos continuar reclamando, olhando para as circunstâncias e repetindo que não conseguimos.
Ou podemos escolher confiar, agir e caminhar.
Isso não significa que a vida será fácil.
Jesus nunca prometeu ausência de dificuldades. Pelo contrário, a própria mensagem lembra que haveria aflições, mas também existe o chamado para ter bom ânimo.
O bom ânimo não significa fingir que os problemas não existem.
Significa atravessá-los sem permitir que eles destruam nossa esperança.
É olhar para o deserto e dizer:
“Esse é o lugar onde estou agora, mas não é necessariamente o lugar onde vou permanecer.”
Outro ponto forte da mensagem é a reflexão sobre nossas palavras.
O que você tem declarado sobre sua própria vida?
“Eu nunca vou conseguir.”
“Minha vida é assim mesmo.”
“Não nasci para isso.”
“Para mim nada dá certo.”
Ou:
“Eu vou continuar.”
“Eu vou aprender.”
“Eu vou fazer a minha parte.”
“Eu confio em Deus.”
Nossas palavras revelam muito sobre aquilo que está acontecendo dentro de nós.
A mensagem apresenta a Palavra de Deus como uma semente. Quando essa semente encontra um coração preparado, ela pode produzir frutos.
Por isso, não basta ouvir uma mensagem inspiradora no domingo ou em uma live.
É necessário guardar a palavra, refletir sobre ela e colocá-la em prática.
Talvez você esteja lendo este artigo e percebendo que, de alguma maneira, também está vivendo uma mentalidade de deserto.
Então comece com alguns passos simples:
Pare de fugir da realidade.
Identifique aquilo que está prendendo você.
É medo? Conformismo? Falta de fé? Procrastinação? Mágoa? Um pensamento repetitivo?
Pergunte:
“Por que eu acredito que isso não é possível para mim?”
Nem todo pensamento que passa pela nossa cabeça representa a verdade.
Problemas precisam de soluções, não apenas de reclamações.
Em vez de perguntar somente “por que isso aconteceu?”, pergunte também:
“O que posso fazer a partir de agora?”
Não espere ter o caminho inteiro iluminado.
Comece pelo próximo passo.
A mensagem traz justamente essa imagem: o chão já está preparado; é preciso ter coragem para caminhar.
Aquilo que consumimos diariamente influencia nossos pensamentos.
Leia a Bíblia.
Ore.
Ouça mensagens que edifiquem sua vida.
Converse com pessoas que estimulem você a crescer.
E, principalmente, coloque em prática aquilo que você aprende.
Talvez você esteja há meses ou até anos enfrentando uma situação que parece não mudar.
Talvez tenha começado a acreditar que sua vida será sempre assim.
Mas a mensagem de “Mentalidade de Deserto” nos convida a fazer uma pausa e olhar para dentro.
Será que estamos apenas esperando que as circunstâncias mudem?
Ou estamos dispostos a mudar nossa mentalidade e dar os passos que precisamos dar?
O povo de Israel passou décadas em uma jornada que poderia ter sido muito mais curta.
A grande pergunta que fica para nós é:
Quantos anos estamos gastando em um lugar onde já deveríamos ter aprendido o que precisávamos aprender e seguido em frente?
Deus não nos chama para viver presos ao passado.
O deserto pode ser parte da história, mas não precisa ser o fim dela.
Hoje pode ser o dia de levantar o acampamento.
Hoje pode ser o dia de mudar a maneira de pensar.
Hoje pode ser o dia de dar o primeiro passo.
Como a mensagem conclui, não basta acreditar: é preciso agir. A palavra recebida precisa se transformar em prática.
“Senhor, guia os meus passos.
Eu não quero mais viver apenas pelo que vejo. Quero viver pela fé.
Muda a minha mente, transforma o meu coração e tira de mim tudo aquilo que me mantém preso ao passado.
Ajuda-me a reconhecer que o deserto é uma fase e que eu não preciso permanecer nele para sempre.
Dá-me coragem para dar o próximo passo, sabedoria para tomar decisões e fé para confiar nos teus planos.
Eu quero viver os teus sonhos e experimentar aquilo que o Senhor preparou para mim.
Em nome de Jesus. Amém.”
E agora fica a pergunta para você:
Se esta reflexão falou com você, você pode ouvir ou assistir à mensagem completa “Mentalidade de Deserto – Deuteronômio 1”, apresentada por Sil Knoepke.
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Artigo escrito por Silvana Knoepke.
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